Em 1935, Claude Lévi-Strauss e seus companheiros de expedição etnográfica chegaram à aldeia principal dos Kadiwéu, chamada Nalik e, situada no
território do Mato Grosso do Sul, Brasil. Durante os 15 dias de pesquisa, o antropólogo francês produziu uma considerável quantidade de fotografias,
muitas das quais posteriormente publicadas em suas obras, tornando algumas delas amplamente reconhecidas. No ano de 2022, eu visitei os Kadiwéu,
no que atualmente é a aldeia principal conhecida como Alves de Barros. Na ocasião, levei comigo as fotografias capturadas por Lévi-Strauss. O objetivo
principal da minha visita era a aplicação das metodologias de foto-elicitação e repatriação visual junto aos Kadiwéu. Ambas as abordagens fomentam
diálogos sobre as imagens, proporcionando a oportunidade de gerar novas perspectivas e contra narrativas. Desse modo, procurava compreender
o que aquelas imagens evocavam nos meus interlocutores, independentemente de estarem relacionadas ao conteúdo das fotografias, a os seus contextos originais ou a memórias que não guardassem uma conexão direta com os assuntos retratados nas imagens. Eu já estava ciente das histórias
e interpretações de Lévi-Strauss a respeito dessas imagens e, portanto, minha intenção era explorar quais outras narrativas poderiam emergir do encontro entre os Kadiwéu do presente e aqueles do passado por meio dessas fotografias.