Este artigo trata sobre as narrativas e memórias de Emanuela Sousa, mulher indígena do povo Kumaruara, freira por mais de cinco décadas e uma
das referências do movimento indígena na região do Baixo Tapajós. Através do método de história de vida e história oral, procura-se compreender
sua trajetória, o processo de emergência étnica e a organização do movimento indígena no Baixo Tapajós, território em que nasceu e dedicou parte
do seu trabalho como ativista indígena. Descritos como mortos ou extintos há muito tempo, os povos indígenas desta região passaram a mobilizar
publicamente suas identidades étnicas a partir do final do século XX, momento em que se reconfigurou o quadro político e social n a região. Desta forma,
as narrativas e memórias de Emanuela, como fios condutores, possibilitaram uma compreensão renovada deste processo.